segunda-feira, 27 de julho de 2009

Monte Gordo


Este Verão, e uma vez que este ano as minhas férias têm de ser mais low-cost, fui passar férias a Monte Gordo.


Devo dizer-vos que as minhas expectativas não eram muito altas. Para mim Algarve sempre foi Vilamoura, Galé. Por isso sempre pensei que Monte Gordo ia ser pior.


Bem...não posso dizer que tenha sido melhor, mas foi diferente. A praia é óptima, bem melhor do que Vilamoura uma vez que se encontra mais limpa e sem VIP's, o que é claramente uma vantagem. Além do mais os acessos são melhores e, pese embora a maior parte dos apartamentos e hotéis sejam mesmo à beira da praia, não há tanto aquela sensação de praia urbana que Vilamoura me deixa sempre.


Ah, as pessoas também são mais simpáticas, talvez por não ser uma zona com tantos turistas estrangeiros e, como tal, são simpáticos no atendimento a turistas portugueses.


Vida nocturna: há pouca, é verdade, e a que existe consiste na sua maioria em cafés de rua. Mas sabem que mais? Já tinha saudades de me sentar numa esplanada e conversar sem música barulhenta, mulheres (cada vez mais miúdas) pouco vestidas mas excessivamente maquilhadas e perfumadas e homens à espera de serem alvo de atenção por parte dessas mulheres. Já tinha saudades de descobrir outras pessoas, conversar com elas e ter acesso a mundos diferentes dos meus.


Monte Gordo acabou por se revelar um bom sítio para descansar e para pensar em tudo aquilo que é necessário mudar na minha vida, em tudo aquilo que tenho de tornar mais simples.


Recomendo.


Susana.

domingo, 12 de julho de 2009

O Espião que Saiu do Frio


Avaliação: 7/10


Por certo que a maior parte de nós já ouviu falar de John Le Carré. Afinal, até mesmo os leitores menos atentos terão tomado conhecimento das obras de Le CArré que foram adaptadas para o cinema: O Alfaiate do Panamá, ou o oscarizado filme O Fiel Jardineiro.

Pois bem, recentemente foi publicada em Portugal a obra "O Espião que Saiu do Frio". Pese embora a sua recente publicação, este foi o terceiro livro (de uma longa lista) que Le Carré escreveu.

Um espião, na época da Guerra Fria, é responsável pelo posto inglês em Berlim. Após vários dos seus agentes secretos serem mortos, este espião cai em desgraça, sendo mesmo preso, e apaixonando-se por uma bibliotecária e comunista pouco convicta da sua ideologia. Mas, no meio de uma vida atribulada, este espião é recrutado por agentes comunistas para, a troco de dinheiro, prestar informações sobre os serviços secretos ingleses e, deste modo, trair o seu país.

Mas nem tudo é o que parece, e é desta forma que o leitor é envolvido numa brilhante história de espionagem.

Neste livro John Le Carrá mantém o seu registo narrativo calmo e ponderado, mas não menos eloquente que qualquer outro modo de escrita no que se refere aos sentimentos das suas personagens, e à forte envolvência que cria no leitor.

sábado, 11 de julho de 2009

Restaurante Rubro


Avaliação: 8/10


Situado no Campo Pequeno, o Rubro é um restaurante de dois andares, com esplanada e um especialidade muito interessante: vinhos.

A comida é muito boa, sendo que recomendo a Tábua de Enchidos Ibéricos e os Ovos Rotos.

Para beber, podem experimentar um dos variadíssimos vinhos que a casa tem para oferecer. Eu especialmente gosto da sangria de vinho tinto, feita com um vinho de óptima qualidade.

Mas se quiserem aproveitar mais a bebida do que a comida, é simples, basta pedirem o jantar Prova de Vinhos, no qual podem degustar os vários vinhos da casa.


Preço médio: 19€. A prova de vinhos ronda os 30€.

Monólogos da Vagina


Avaliação: 7/10


Peça baseada nas entrevistas que Eve Ensler realizou a várias mulheres, de diferentes idades, escrita em 1996.

A peça é a exposição de algumas das respostas obtidas nas referidas entrevistas, nas quais Ensler questionou as mulheres sobre os pormenores mais íntimos das suas vidas, aqueles sobre os quais, por regra, não se fala, tanto por vergonha como pelo facto de as mulheres terem sido educadas no sentido de existirem assuntos proibidos ou indelicados sobre os quais não devemos falar com outras pessoas.

Os Monólogos da Vagina estiveram em encenação do Auditório dos Oceanos, no Casino de Lisboa, interpretados por Guida Maria (um reincidente nesta peça que já havia estado em encenação no passado), Ana Brito e Cunha e São José Correia.

Recomendo esta peça a todas as mulheres que estejam dispostas a ouvir tudo aquilo que nunca ouviram antes, e cujos ouvidos não estejam surdos pela vergonha que a sociedade impôs à natureza feminina.

Nesta peça são garantidos momentos de silêncio, resultado do choque perante testemunhos atrozes, bem como risadas face a observações hilariantes.

No limite, Os Monólogos da Vagina são uma viagem crua à natureza feminina, e não procura, de modo algum, embelezar essa natureza, mas mostrá-la ao Mundo simplesmente como ela é.

Vale a pena ver esta peça mais que não seja pela interpretação das 3 actrizes que só pelas suas falas se expõem mais do que se estivessem nuas em palco. Vale a pena ver pela liberdade e pelo sentimento de aceitação do nosso corpo tal como é com que se sai da sala.

domingo, 5 de julho de 2009

Transformers II: Revenge of the Fallen


Quote: "I send this message so that our past will always be remembered. For in those memories, we live on".


Avaliação: 6/10.


Não sou uma mulher típica. Prefiro os filmes de acção aos romances, os filmes de terror às comédias românticas. Sempre fui assim.

Gostei imenso do primeiro filme Transformers. Gostei da história, gostei das cenas de acção, adorei a escolha de Linkin Park como banda sonora!! (What I've done....I face myself...).

Face a este cenário as minhas expectativas para esta sequela eram elevadas. Demasiado elevadas, reconheço agora. E assim não gostei do Transformers II.

Esta sequela pretende explicar o princípio de tudo, explicar como e quando os Transformers surgiram pela primeira vez no Planeta Terra, bem como o porquê, o que, de certa forma, é conseguido. Digo que de certa forma uma vez que neste filme tudo é explicado abruptamente entre cenas elaboradíssimas de acção. Na realidade, as falas são poucas e, regra geral, sem conteúdo, excepto quando a história assume um registo narrativo e o "plot" é revelado.

Até mesmo o romance entre o Shia LaBeouf e a Magan Fox é insípido, sendo o corpo da Megan Fox mais explorado e estereótipado que nunca.

Em resumo, Transformers II tinha tudo para ser um bom filme, mas não é.


O melhor: as poucas cenas que o Bumblebee aparece, os carros gémeos e Linkin Park novamente como banda sonora.

O pior: as falas entre o Shia LaBeouf e a Megan Fox.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

A ceia dos cardeais

Recentemente esteve em cena a peça A ceia dos cardeais, de Júlio Dantas, no Auditório dos Oceanos, no Casino de Lisboa com o propósito solidário de reverter as receitas de bilheteira para a CRIAMAR.

Esta foi, aliás, a razão pela qual a peça esteve apenas em cena durante dois dias ou, pelo menos, deveria ter estado.

Não há muito mais que vos possa dizer relativamente a esta peça por um motivo bastante básico: não a vi.

Ora, não a tendo visto, neste momento podes estar a perguntar-te por que razão estarei então a dedicar algum do meu tempo a escrever sobre a mesma no meu blog?

Porque talvez as pessoas que dirigem a companhia de teatro não o saibam mas, em média, quem tem uma boa experiência partilha com 3 pessoas, e quem tem uma má experiência partilha com 7. E, neste momento, eu estou a partilhar a minha experiência com todos aqueles que (muito corajosamente e por isso vos agradeço) lêem este blog.

Pois bem. Infelizmente eu fui uma das 16 pessoas que comprou um bilhete para assistir à sessão das 22 horas de Domingo, mas que não vi a peça, tendo sido informada que a Companhia de teatro não actua para um público de 16 pessoas.

Ora começa aqui a parte que não compreendo muito bem. A peça estava em exibição com fins solidários. Cada bilhete custou 10 euros: preço único. Portanto, a CRIAMAR achou que 160 euros numa noite (sejamos realistas, talvez duas horitas, no máximo) era insuficiente e portanto achou preferível não receber esse dinheiro. Porque as pessoas que beneficiam da ajuda da CRIAMAR não precisam de 160 euros, afinal de contas, há limites!...Não me parece que a CRIAMAR tenha tido qualquer palavra a dizer em relação a este assunto.

Se eu tivesse pago para assistir à peça no Teatro, quando o mesmo tem fins lucrativos (mais que não seja diminuir um pouco o dinheiro orçamentado pelo Ministério da Cultura no ano seguinte), eu aceitava que os actores não quisessem actuar para um público de 16 pessoas. Não gostava, mas aceitava. Tratando-se de um evento solidário...não preciso mesmo de dizer mais nada, pois não?

No entanto, não posso deixar de elogiar aqueles que, apesar das dificuldades, executaram o seu trabalho dignamente e de forma eficiente: o pessoal do Casino de Lisboa, que prontamente ajudou a recuperar o dinheiro dos bilhetes e assumiu o custo de quem tinha estacionado o carro no parque de estacionamento do Casino.

Avaliação da peça: 0/10.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

A Crónica dos Imortais




Avaliação: 4/10



A Crónica dos Imortais, escrita por Wolfgang Holhbein (escritor alemão) é composta por 2 volumes: O Abismo e O Vampiro.
A história deste volumes centra-se na vida de Andrej Delãni, um homem com uma esperança média de vida e capacidade de sobrevivência acima do normal.

Na sua busca pelo passado, Andrej acaba por encontrar a sua cidade Natal destruída e a sua população prisioneira da Grande Inquisição. Ora, é na companhia de um jovem de 13 anos com capacidades iguais às suas, e único sobrevivente do massacre perpetuado na cidade, que Andrej tenta resgatar a população feita prisioneira.

No caminho que percorrem, e pelo qual vivem várias aventuras, conhecem outras pessoas iguais a si, e juntos vão desvendando um segredo muito bem guardado e cobiçado pelo célebre principe Vladimir Drácula.

As críticas a estes livros, curiosamente boas, prometiam uma nova versão sobre a origem dos vampiros, bem como momentos de aventura misturado com romance.

Pois bem, a origem dos vampiros não é revelada nestes dois volumes (na Alemanha já são cerca de 10), e de romance existe muito pouco.

Apesar de a história nos apresentar vários personagens, alguns deles fulcrais para o desenvolvimento da acção, a verdade é que o autor não os explora, não lhe concedendo qualquer tipo de profundidade ou interesse. Assim, nem sequer de personagens secundárias se tratam, são praticamente inexistentes.

Nestes 2 livros surge apenas uma personagem feminina, Maria, por quem Andrej se apaixona sem absolutamente razão nenhuma a não ser o facto de Maria ser uma mulher bonita. Maria é uma personagem fantasma (sempre presente na mente de Andrej, mas nunca na história), praticamente sem falas e destituída de qualquer personalidade. Maria é apresentada na história como uma mulher forte e dinâmica mas todas as suas atitudes são as de uma mulher frágil e sem qualquer vestígio de pensamento racional. Diria que o autor desconhece por completo o pensamento feminino ou não foi, simplesmente, capaz de o transpor para o papel.

Deste modo, estes são livros de aventuras (e mesmo neste domínio, fraco) para ler quando não se quer pensar muito.